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Circunferência da Cintura e IMC: O Que Cada Medida Diz Sobre o Seu Risco

O IMC mostra se o peso está acima do adequado para a altura; a cintura mostra onde está a gordura. O Ministério da Saúde considera risco cardiovascular aumentado a cintura acima de 80 cm na mulher e de 94 cm no homem. Veja como calcular o IMC, as faixas da OMS, os limites de cada medida e como medir a cintura do jeito certo.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·8 min de leitura

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Fita métrica flexível branca, com números pretos de 76 a 113 centímetros, solta em curvas sobre uma superfície branca, em preto e branco
Fita métrica flexível branca, com números pretos de 76 a 113 centímetros, solta em curvas sobre uma superfície branca, em preto e branco

O IMC diz se o seu peso está acima do adequado para a sua altura. A circunferência da cintura diz onde a gordura está, e a que se acumula na barriga está ligada a maior risco de doença do coração e diabetes. Para adultos de até 59 anos, a OMS e o Ministério da Saúde chamam de sobrepeso o IMC a partir de 25 e de obesidade a partir de 30. Na cintura, o Ministério considera risco cardiovascular aumentado acima de 80 cm na mulher e de 94 cm no homem. Juntas, as duas medidas dizem mais do que cada uma sozinha.

Como se calcula o IMC?#

O índice de massa corporal é o peso em quilos dividido pela altura em metros ao quadrado: IMC = peso ÷ (altura × altura). É a fórmula da OMS e da norma técnica do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), do Ministério da Saúde.

Exemplo: uma pessoa de 80 kg e 1,70 m. A altura ao quadrado é 1,70 × 1,70 = 2,89. O IMC é 80 ÷ 2,89 = 27,7 kg/m². Se preferir não fazer a conta, a calculadora de IMC do site faz o cálculo e mostra a faixa, inclusive para quem tem 60 anos ou mais.

O que significam as faixas do IMC?#

Para adultos de 20 a 59 anos, o Ministério da Saúde adota os pontos de corte da OMS. A tabela segue o Caderno de Atenção Básica nº 38 e a linha de cuidado da obesidade no adulto:

IMC (kg/m²)Classificação
abaixo de 18,5Baixo peso
18,5 a 24,99Adequado (eutrófico)
25 a 29,99Sobrepeso
30 a 34,99Obesidade grau I
35 a 39,99Obesidade grau II
40 ou maisObesidade grau III

Na mesma tabela, a linha de cuidado do Ministério associa cada faixa ao risco de doenças associadas: ele vai de "pouco elevado" no sobrepeso a "elevado" no grau I, "muito elevado" no grau II e "muitíssimo elevado" no grau III. O Caderno 38 acrescenta que quem tem IMC de 25 ou mais deve receber atendimento específico na atenção básica.

Três grupos usam outras referências:

  • Pessoas com 60 anos ou mais: o adequado é de 22 a 27. Abaixo de 22 é baixo peso e acima de 27, sobrepeso. O Ministério da Saúde explica a diferença pelo risco de sarcopenia, a perda de massa e força muscular com a idade.
  • Crianças e adolescentes: a OMS avalia o IMC pela idade e pelo sexo, em curvas de crescimento, e não pela tabela de adultos.
  • Gestantes: o Caderno 38 lembra que o IMC é interpretado conforme a idade gestacional, no pré-natal.

Excesso de peso é comum. A OMS estima que, em 2024, 45% dos adultos do mundo tinham sobrepeso ou obesidade, e 16% viviam com obesidade. Na região das Américas, a proporção com excesso de peso chegava a 68%, a mais alta entre as regiões da OMS.

Por que o IMC sozinho não basta?#

Porque ele mede peso, e não gordura. A linha de cuidado do Ministério da Saúde aponta os limites:

  • Não separa gordura de músculo. Em quem tem muita massa muscular, o IMC pode superestimar a gordura.
  • É menos preciso em pessoas idosas, que perdem massa magra e peso com a idade.
  • Não mostra onde a gordura está. Duas pessoas com o mesmo IMC podem ter quantidades bem diferentes de gordura na barriga.

Por isso, o Ministério conclui que a combinação do IMC com a distribuição da gordura é provavelmente a melhor opção para uma avaliação adequada. A OMS diz o mesmo de outro jeito: o diagnóstico de sobrepeso e obesidade se faz pelo IMC, mas outras medidas, como a cintura, também podem ser usadas.

O que a circunferência da cintura indica?#

A cintura dá uma estimativa aproximada da gordura dentro do abdômen, segundo a norma técnica do SISVAN. Essa gordura importa porque doenças metabólicas crônicas estão ligadas a ela. A linha de cuidado do Ministério resume: quanto maior a cintura, maior o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e morte por todas as causas. Ela lembra ainda que, antes da menopausa, o homem tem em média o dobro da gordura abdominal da mulher.

Os pontos de corte que o Ministério da Saúde usa, no Caderno 38, na norma do SISVAN e na linha de cuidado, são:

SexoCintura associada a risco aumentado para doenças cardiovasculares
Mulheresacima de 80 cm
Homensacima de 94 cm

E os números 88 e 102 cm?#

Eles aparecem em muitas tabelas como "risco muito aumentado" e costumam ser atribuídos à OMS. O relatório da consulta de especialistas da OMS sobre cintura, de 2008, conta a origem: os cortes de 94 e 80 cm (risco aumentado) e de 102 e 88 cm (risco substancialmente aumentado) vieram de um estudo feito na Holanda com 2.183 homens e 2.698 mulheres de 20 a 59 anos. Segundo o relatório, esses valores "eram apenas um exemplo e não recomendações da OMS".

O mesmo relatório mostra que os cortes foram definidos sobretudo em populações de origem europeia e que o risco pode aparecer com cintura menor em outros grupos. Em asiáticos, os estudos indicavam valores mais baixos. Em sul-americanos, os poucos estudos reunidos sugeriam cortes de 88 a 90 cm para homens e de 83 a 84 cm para mulheres. Uma das revisões analisadas concluiu que pontos de corte universais de IMC e cintura não são adequados para o mundo todo. Na prática: o número da fita é um sinal de alerta, não um veredito, e o Brasil segue os cortes de 80 e 94 cm.

Como medir a cintura corretamente?#

A norma técnica do SISVAN descreve o passo a passo usado nas unidades de saúde:

  1. Fique em pé, ereto, com o abdômen relaxado, os braços ao longo do corpo e as pernas paralelas, um pouco afastadas.
  2. Meça direto na pele. A medida não deve ser feita sobre a roupa nem sobre o cinto.
  3. Encontre o ponto certo: o meio do caminho entre a borda de baixo da última costela e o osso do quadril (crista ilíaca). Esse ponto não é necessariamente o umbigo.
  4. Passe a fita ao redor da cintura nesse ponto, no mesmo nível em toda a volta, sem ficar frouxa nem apertada.
  5. Leia ao soltar o ar. A norma do SISVAN pede para inspirar e depois expirar totalmente, lendo antes da próxima inspiração. A OMS orienta ler ao fim de uma expiração normal.
  6. Repita. A OMS recomenda medir duas vezes: se a diferença for de até 1 cm, use a média; se passar disso, meça de novo.

Use fita que não estica. A norma do SISVAN indica fita inelástica e flexível e desaconselha a fita comum de costura, que se deforma com o tempo e altera a medida. Para acompanhar a evolução ao longo dos meses, repita sempre a mesma técnica.

Fita métrica branca enrolada, com a ponta de metal e os primeiros centímetros desenrolados, sobre um fundo cor-de-rosa
A medida da cintura pede fita flexível que não estica; a fita de costura comum se deforma com o uso, alerta a norma do SISVAN. · Foto: Unsplash

O que fazer com o resultado?#

Se o IMC deu 25 ou mais, ou se a cintura passou de 80 cm (mulher) ou 94 cm (homem), o passo seguinte é marcar consulta na Unidade Básica de Saúde (UBS). O Caderno 38 descreve o que a equipe da atenção básica faz: pesa, mede a altura e a cintura, calcula o IMC e avalia a alimentação. Para quem tem excesso de peso, o caderno lista outras avaliações: pressão arterial, glicemia e perfil de gorduras no sangue (lipidograma).

Essas avaliações importam porque o excesso de gordura abdominal anda junto com outras alterações que não dão sintomas. O texto sobre pré-diabetes explica o que significa a glicemia alterada e por que ela é um sinal para agir cedo. Se o objetivo for perder peso, o guia de como emagrecer com saúde mostra a meta realista e o tratamento que existe no SUS.

O que não fazer: usar o número para começar dieta radical, remédio para emagrecer por conta própria ou treino que você não aguenta. As medidas servem de triagem e de acompanhamento. Quem define se há doença e qual o tratamento é o profissional que examina você.

Quando procurar atendimento#

Procure a UBS se o seu IMC estiver em 25 ou mais (ou acima de 27, se você tem 60 anos ou mais), se a cintura passar dos pontos de corte do Ministério da Saúde, ou se as medidas estiverem subindo de um ano para o outro. Procure também se o IMC estiver abaixo de 18,5 (ou de 22, depois dos 60), ou se você perdeu peso sem tentar. Para crianças, adolescentes e gestantes, a avaliação é feita pelo pediatra ou no pré-natal.

Este texto é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Perguntas frequentes

Como calcular o IMC?

Divida o peso em quilos pela altura em metros elevada ao quadrado. Para 80 kg e 1,70 m: 1,70 × 1,70 = 2,89, e 80 ÷ 2,89 = 27,7 kg/m². É a fórmula usada pela OMS e pela norma técnica do SISVAN, do Ministério da Saúde. Para adultos de 20 a 59 anos, 27,7 fica na faixa de sobrepeso, que vai de 25 a 29,99.

Qual é a medida de cintura considerada de risco?

O Ministério da Saúde, no Caderno de Atenção Básica nº 38 e na norma técnica do SISVAN, considera risco aumentado para doenças cardiovasculares a cintura acima de 80 cm na mulher e acima de 94 cm no homem. Valores de 88 cm e 102 cm também circulam como risco muito aumentado. O relatório de especialistas da OMS de 2008 explica que esses números vieram de um estudo holandês e eram um exemplo, não uma recomendação oficial da OMS.

A cintura se mede na altura do umbigo?

Não necessariamente. A norma técnica do SISVAN e a OMS orientam medir no ponto médio entre a borda inferior da última costela e o topo do osso do quadril (crista ilíaca), com a pessoa em pé, abdômen relaxado e braços ao lado do corpo, direto na pele e com fita que não estica. Esse ponto pode ficar acima ou abaixo do umbigo, conforme o corpo.

Posso ter IMC normal e mesmo assim estar em risco por causa da barriga?

Pode. O Ministério da Saúde lembra que o IMC não mostra como a gordura está distribuída no corpo e que quanto maior a circunferência da cintura, maior o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e morte por todas as causas. Por isso a recomendação é combinar o IMC com a medida da cintura. A interpretação do resultado deve ser feita com um profissional de saúde.

O IMC vale para idosos?

Vale, mas com outras faixas. Para pessoas com 60 anos ou mais, o Ministério da Saúde considera adequado o IMC entre 22 e 27 kg/m². Abaixo de 22 é baixo peso e acima de 27, sobrepeso. O motivo apontado é o risco de sarcopenia, a perda de massa, força e desempenho muscular que vem com a idade. Para menores de 20 anos e para gestantes, o IMC é avaliado em curvas próprias.

Fontes consultadas

  1. 1.Obesity and overweight (ficha técnica, 7 de outubro de 2026) — Organização Mundial da Saúde
  2. 2.Waist circumference and waist-hip ratio: report of a WHO expert consultation (Genebra, 2008; publicado em 2011), seções 2.5 e 4.4 e anexo A1 — Organização Mundial da Saúde
  3. 3.Orientações para a coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde: Norma Técnica do SISVAN (2011), quadros 16 e 17 e aferição da cintura de adultos — Ministério da Saúde
  4. 4.Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: obesidade (Caderno de Atenção Básica nº 38, 2014), quadros 1, 3 e 9 — Ministério da Saúde
  5. 5.Linha de cuidado da obesidade no adulto: definição, IMC e circunferência da cintura — Ministério da Saúde
AssuntosIMCcircunferência da cinturagordura abdominalobesidadeSISVANrisco cardiovascular