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Tendinite: Sintomas, Causas e Tratamento Que Funciona

Tendinite de ombro, cotovelo e punho está na lista de LER/Dort do Ministério da Saúde. O protocolo oficial diz que fisioterapia é primordial e que cirurgia não tem se mostrado útil nesses casos; infiltração de corticoide alivia no curto prazo, mas perde para não fazer nada depois.

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Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·Atualizado em ·9 min de leitura

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Mãos de uma pessoa digitando em um notebook prateado apoiado em uma mesa de madeira, em uma sala com sofá ao fundo
Mãos de uma pessoa digitando em um notebook prateado apoiado em uma mesa de madeira, em uma sala com sofá ao fundo

"Tendinite" virou palavra para quase toda dor no punho, no cotovelo ou no ombro de quem trabalha no computador, levanta peso ou pratica esporte. Às vezes é isso mesmo; às vezes é bursite, compressão de nervo ou artrose. E boa parte do que se faz para tratar, como injeção de corticoide, de plasma ou cirurgia, tem menos respaldo do que parece. Este texto reúne o que diz o protocolo do Ministério da Saúde para LER/Dort e o que as revisões científicas mostram sobre cada tratamento.

O que é tendinite?#

Tendão é a estrutura que prende o músculo ao osso. Tendinite é o nome popular para a dor e a perda de função nesse tendão, quase sempre por sobrecarga repetida. A revisão sobre o tema publicada em 2021 na Nature Reviews Disease Primers prefere o termo tendinopatia, porque o tendão doente mostra mais do que inflamação: fibras de colágeno desorganizadas, mais vasos e terminações nervosas, alterações na matriz do tendão e presença de células e substâncias inflamatórias. Segundo os autores, os locais mais atingidos por sobrecarga são:

  • ombro, nos tendões do manguito rotador;
  • cotovelo, nas epicondilites lateral ("cotovelo de tenista") e medial;
  • joelho, no tendão patelar;
  • quadril, nos tendões dos glúteos;
  • tornozelo, no tendão de Aquiles.

Mão e punho entram no grupo das tenossinovites, a inflamação da bainha que envolve o tendão. A mais conhecida é a de De Quervain, na base do polegar.

Quais são os sintomas?#

O protocolo do Ministério da Saúde para LER/Dort descreve as queixas mais comuns: dor localizada, irradiada ou generalizada, desconforto, fadiga e sensação de peso. Muitos pacientes relatam também formigamento, dormência, sensação de perda de força, inchaço, enrijecimento do músculo e falta de firmeza nas mãos. Os sintomas costumam surgir aos poucos e são desencadeados ou agravados depois de períodos de mais trabalho ou de jornadas prolongadas.

O mesmo documento traz pistas que ajudam o médico a diferenciar tendinite de outras doenças:

Como é a dorO que costuma sugerir, segundo o protocolo
Dor ao movimento (dor mecânica)LER/Dort
Dor contínua, que persiste em repouso, ou dor noturnaProcesso inflamatório
Dor que melhora conforme o movimento continuaArtrose
Ponto ou trajeto mais doloroso ao apertar, com dor que se espalha pelo braçoTendinopatia, como a do cotovelo
Rigidez ao acordar por mais de 30 minutos, dos dois lados, em punhos e dedosArtrite reumatoide

No ombro, o protocolo descreve a síndrome do impacto: dor ao elevar o braço, que piora ao deitar, irradia para a lateral do braço e vem com perda de força, comum em quem repete movimentos com os braços acima da cabeça. Um ponto importante do documento: há casos com sinais clínicos claros e ultrassom ou ressonância normais, e o contrário também, lesões nos exames de pessoas sem sintomas. Por isso o exame físico pesa tanto quanto a imagem.

Por que a tendinite aparece no trabalho? (LER/Dort)#

O protocolo trata LER (lesões por esforços repetitivos) e Dort (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho) como sinônimos e as define como danos decorrentes do uso excessivo do sistema musculoesquelético e da falta de tempo para recuperação. A causa é multifatorial. Entre os fatores de risco que o documento lista estão:

  • movimentos repetitivos e uso de força;
  • posturas extremas ou mantidas por muito tempo, como braços acima do ombro e punhos dobrados;
  • carga estática, quando um membro fica parado contra a gravidade;
  • vibração, frio e pressão de quinas de móveis e ferramentas sobre o corpo;
  • tarefas monótonas, sem variação;
  • organização do trabalho: ritmo intenso, metas, ausência de pausas, jornadas longas, pressão e falta de reconhecimento.

O protocolo cita, entre as atividades de risco, digitação, teleatendimento, caixa, linha de montagem, costura, limpeza, cozinha e construção. Dados do INSS de 2002 reproduzidos no documento mostram que 55,3% dos benefícios por incapacidade concedidos por tenossinovites e sinovites relacionadas ao trabalho foram para bancários.

A dimensão do problema no SUS aparece em balanço do Ministério da Saúde publicado em 2023: entre 2007 e 2022, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação registrou quase 3 milhões de casos de doenças e agravos ocupacionais, e 3,7% das notificações foram de LER/Dort. No mesmo ano, a lista oficial de doenças relacionadas ao trabalho foi atualizada pela Portaria GM/MS nº 1.999/2023, passando de 182 para 347 códigos de diagnóstico, com inclusão de distúrbios musculoesqueléticos.

Dor lombar ligada ao trabalho também entra na lista de LER/Dort; o texto sobre dor nas costas trata desse caso.

E a tendinite do esporte?#

A revisão de 2021 da Nature Reviews Disease Primers classifica as tendinopatias de ombro, cotovelo, joelho, quadril e tendão de Aquiles como lesões por sobrecarga. O raciocínio é o mesmo que o Ministério da Saúde descreve para o trabalho: uso excessivo somado à falta de tempo para recuperação. Aumentar de uma vez o volume de corrida, os saltos ou o peso na academia vai na direção errada. Programar a progressão, como explica o texto sobre periodização do treino, e respeitar os sinais de excesso de treino são as formas mais práticas de reduzir o risco. Se a dor no tendão volta e piora a cada sessão, o mais prudente é reduzir a carga e procurar avaliação, em vez de "aquecer e seguir".

Como é o tratamento?#

O protocolo do Ministério da Saúde lista os princípios:

  1. Tratamento em equipe. Fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, enfermeiro, psicólogo e assistente social, além do médico.
  2. Fisioterapia é primordial. Os objetivos são aliviar a dor, relaxar a musculatura, prevenir deformidades e recuperar a capacidade funcional. Não é possível padronizar técnica nem duração: o plano é definido depois da avaliação.
  3. Remédio com cautela. Analgésicos e anti-inflamatórios são úteis na dor aguda, mas, usados sozinhos, não são efetivos contra a dor crônica, que pode exigir outros medicamentos. A escolha, a dose e o tempo de uso são do médico.
  4. Prevenir a volta. Mesmo com melhora, evitar recaída é parte do tratamento, o que costuma exigir mudança na forma de trabalhar.
  5. Cirurgia raramente ajuda em LER/Dort. O protocolo afirma que procedimentos cirúrgicos não têm se mostrado úteis e que pacientes com história longa operados frequentemente evoluem para dor crônica de difícil controle.
Profissional de saúde segura o ombro de uma mulher de camiseta branca durante uma avaliação, contra uma parede clara
O protocolo de LER/Dort do Ministério da Saúde considera a fisioterapia primordial e afirma que não é possível padronizar técnica nem duração do tratamento. · Foto: Unsplash

A revisão de 2021 da Nature Reviews Disease Primers resume o tratamento como programas de exercício e de carga, outras modalidades terapêuticas e cirurgia, e faz uma ressalva honesta: a eficácia de todas essas opções ainda é ambígua. Em outras palavras, não existe atalho. O que a pesquisa permite afirmar é o que não funciona tão bem quanto se vende.

Infiltração com corticoide: alívio rápido, conta depois#

A revisão sistemática publicada no Lancet em 2010 reuniu 41 estudos com 2.672 participantes. A infiltração de corticoide reduziu a dor no curto prazo, mas o efeito se inverteu no médio e no longo prazo. Na epicondilite lateral do cotovelo, o corticoide teve efeito grande nas primeiras semanas; depois, quem não recebeu nenhuma intervenção estava melhor. Para o ombro, o efeito não ficou claro. Entre 991 pessoas que receberam corticoide nos estudos que relataram eventos adversos, uma teve ruptura do tendão (0,1%). A indicação é do médico, que deve explicar esse equilíbrio.

Plasma rico em plaquetas (PRP): sem benefício comprovado#

A revisão Cochrane de 2021 sobre dor lateral do cotovelo avaliou 32 estudos com 2.337 participantes. Em três meses, a dor com placebo era 3,7 numa escala de 0 a 10, e a injeção de PRP ou de sangue do próprio paciente melhorou só 0,16 ponto, diferença sem importância clínica. Também não houve benefício em seis e doze meses. Os autores concluem que os dados não apoiam o uso e que, sem benefício, custos e riscos da injeção não se justificam.

Como prevenir tendinite#

A prevenção, segundo o protocolo e a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) do Ministério da Saúde, depende mais de como o trabalho é organizado do que de um exercício específico. As dicas da BVS para quem digita incluem:

  • fazer uma parada de 5 minutos a cada 25 minutos de digitação e levantar e se movimentar a cada hora;
  • manter ombros relaxados, pulsos retos e costas apoiadas no encosto;
  • deixar os pés totalmente apoiados no chão e a cadeira ajustada à altura da mesa;
  • não apoiar o pulso enquanto digita, para não comprimir o nervo no túnel do carpo;
  • posicionar o monitor à distância de um braço, entre 15 e 30 graus abaixo da linha dos olhos.

No esporte e na academia, a regra é progressão gradual de carga e descanso suficiente entre sessões. Câimbra e tendinite são confundidas às vezes; se a dor é uma contração súbita que passa em minutos, veja o texto sobre câimbra.

Quando procurar atendimento#

Procure a Unidade Básica de Saúde ou seu médico se:

  1. a dor persiste ou volta sempre que você repete a atividade;
  2. aparecem formigamento, dormência, perda de força ou falta de firmeza nas mãos, queixas que o protocolo do Ministério da Saúde descreve na LER/Dort e que também aparecem quando há compressão de nervo, como na síndrome do túnel do carpo;
  3. a dor é contínua, persiste em repouso ou acorda você à noite, o que o protocolo associa a processo inflamatório;
  4. há rigidez ao acordar por mais de 30 minutos, nos dois lados, em punhos e dedos, sinal que o protocolo relaciona à artrite reumatoide;
  5. você tem diabetes ou hipotireoidismo, doenças que o protocolo manda considerar na avaliação;
  6. a dor tem relação com o trabalho: nesse caso, peça que a suspeita de LER/Dort seja registrada. O protocolo prevê notificação ao Sinan e emissão da CAT, que o médico ou o serviço de saúde pode abrir mesmo na suspeita. Os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) ajudam a esclarecer a relação com o trabalho.

Vá a um pronto-atendimento se a dor for forte e não melhorar com analgésico, compressa, interrupção da atividade, automassagem ou alongamento, situação que o protocolo descreve como crise de dor e que depois precisa ser acompanhada na atenção básica.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e o tratamento da tendinite são definidos pelos profissionais de saúde que acompanham você.

Perguntas frequentes

Quais são os sintomas da tendinite?

O principal é dor no trajeto do tendão, que piora com o movimento ou com o esforço daquela região. O protocolo de LER/Dort do Ministério da Saúde descreve também desconforto, sensação de peso, fadiga, perda de força e, em alguns casos, formigamento, dormência e falta de firmeza nas mãos. Os sintomas costumam surgir aos poucos e piorar depois de períodos de mais trabalho ou de jornadas longas.

Tendinite é LER?

Pode ser. O Ministério da Saúde inclui na lista de LER/Dort a tendinite bicipital, a tendinite calcificante do ombro, a síndrome do manguito rotador, as epicondilites do cotovelo, as tenossinovites e a tenossinovite de De Quervain, entre outras. Quando a tendinite tem relação com as condições de trabalho, ela é LER/Dort e deve ser notificada; quando vem do esporte ou de outra atividade, não é.

Qual o melhor tratamento para tendinite?

Não há um tratamento único. O protocolo do Ministério da Saúde afirma que a fisioterapia é primordial, que analgésicos e anti-inflamatórios ajudam na dor aguda mas sozinhos não resolvem a dor crônica, e que cirurgia não tem se mostrado útil nos casos de LER/Dort. A revisão de 2021 da Nature Reviews Disease Primers lista programas de exercício e de carga, outras terapias e cirurgia como opções, e afirma que a eficácia de todas elas ainda é ambígua.

Infiltração com corticoide cura tendinite?

Não. A revisão sistemática publicada no Lancet em 2010, com 41 estudos e 2.672 participantes, mostrou que a infiltração de corticoide reduz a dor no curto prazo, mas esse efeito se inverte no médio e no longo prazo: na epicondilite lateral, não fazer nada teve resultado melhor depois de algumas semanas. A decisão de infiltrar cabe ao médico, pesando esse risco.

Plasma rico em plaquetas (PRP) funciona para tendinite no cotovelo?

Segundo a revisão Cochrane de 2021, com 32 estudos e 2.337 participantes, a injeção de PRP ou de sangue do próprio paciente provavelmente não traz melhora clinicamente importante da dor ou da função em comparação com injeção de placebo, aos três, seis e doze meses. Os autores concluem que os dados não apoiam o uso e que custos e riscos não se justificam.

Tendinite do trabalho dá direito a afastamento?

Quando a LER/Dort é reconhecida como doença do trabalho pela Previdência Social e há incapacidade, o protocolo do Ministério da Saúde, de 2012, explica que o trabalhador afastado por mais de 15 dias recebe o benefício acidentário (espécie B91, que o protocolo chama de auxílio-doença por acidente de trabalho e o INSS hoje chama de auxílio por incapacidade temporária), mantém o depósito do FGTS durante o afastamento e tem estabilidade de um ano após voltar. O médico ou o serviço de saúde pode emitir a CAT, inclusive na suspeita.

Como prevenir tendinite?

Reduzindo a sobrecarga repetida: pausas regulares, alternância de tarefas, postura adequada e equipamentos ajustados. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde sugere, para quem digita, parar 5 minutos a cada 25 minutos de digitação, manter ombros relaxados, pulsos retos e costas apoiadas. No esporte, vale o mesmo raciocínio que o Ministério da Saúde descreve para o trabalho: a lesão vem do uso excessivo somado à falta de tempo de recuperação, então progredir a carga aos poucos e descansar entre sessões é o que mais conta.

Fontes consultadas

  1. 1.Dor relacionada ao trabalho: lesões por esforços repetitivos (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort). Protocolos de complexidade diferenciada (2012) — Ministério da Saúde
  2. 2.Lesões por esforços repetitivos (LER): Dicas em Saúde — Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde
  3. 3.Ministério da Saúde atualiza lista de doenças relacionadas ao trabalho após 24 anos — Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde
  4. 4.Tendinopathy (Millar e colaboradores, 2021) — Nature Reviews Disease Primers (PubMed)
  5. 5.Efficacy and safety of corticosteroid injections and other injections for management of tendinopathy: a systematic review of randomised controlled trials (Coombes e colaboradores, 2010) — The Lancet (PubMed)
  6. 6.Autologous blood and platelet-rich plasma injection therapy for lateral elbow pain (Karjalainen e colaboradores, 2021) — Cochrane Database of Systematic Reviews (PubMed)
  7. 7.Auxílio por incapacidade temporária — INSS
AssuntostendiniteLER/Dorttendinopatiaepicondiliteombrofisioterapia