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Assadura no Bebê: Como Prevenir, Como Tratar e Quando Ir ao Pediatra

A dermatite da área das fraldas atinge de 7% a 35% dos bebês e tem pico entre 9 e 12 meses, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Troca frequente, limpeza com água e creme de barreira previnem e tratam. Corticoide e antifúngico, só com receita.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·9 min de leitura

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Recém-nascido deitado sobre uma toalha felpuda bege enquanto mãos de adulto ajustam a fralda, em luz quente
Recém-nascido deitado sobre uma toalha felpuda bege enquanto mãos de adulto ajustam a fralda, em luz quente

Ela aparece de um dia para o outro: a pele das nádegas fica vermelha, o bebê chora na hora da troca e a família começa a testar uma pomada atrás da outra. A assadura, que os médicos chamam de dermatite da área das fraldas, é uma das doenças de pele mais comuns da primeira infância. Na maioria das vezes, ela se resolve com mudanças simples na rotina de troca. Em algumas, é outra coisa (fungo, alergia, dermatite seborreica) e precisa de avaliação. Este texto reúne o que dizem dois guias da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde.

O que é assadura e por que ela aparece#

O guia de 2024 da SBP sobre cuidados com a pele do recém-nascido define a dermatite da área das fraldas como uma inflamação aguda, com vermelhidão, carocinhos e pequenas bolinhas de pus na área coberta pela fralda, "que causa desconforto para os bebês e ansiedade para os cuidadores". Não é alergia: é uma irritação, que os médicos chamam de dermatite de contato por irritante primário.

Quanto ela é comum depende do estudo. O guia de 2022 da SBP estima a incidência entre 7% e 35%, com pico entre 9 e 12 meses de idade. O guia de 2024 acrescenta que ela não é comum logo depois do nascimento, aumenta a partir do primeiro mês e que, até os dois anos, a maioria das crianças terá ao menos um episódio.

O que causa, segundo a SBP:

  • Umidade em excesso. A fralda fechada abafa a pele e a deixa encharcada e mais frágil.
  • Atrito da fralda e da limpeza.
  • Urina e fezes. As fezes têm enzimas que atacam a pele, e elas ficam mais ativas quando o pH sobe, o que acontece quando urina e fezes se misturam.
  • Produtos de limpeza inadequados.
  • Mudança na alimentação. A introdução dos alimentos sólidos muda o pH das fezes e o ritmo do intestino, o que, segundo o guia de 2022, talvez explique o pico entre 9 e 12 meses. A SBD faz a mesma observação: novos alimentos podem deixar as fezes mais ácidas. O que muda nessa fase está no texto sobre como introduzir a alimentação complementar.

A pele machucada deixa entrar mais irritantes e micróbios, e isso forma um ciclo vicioso. Por isso a SBP insiste: a chave para controlar a assadura está na prevenção.

Como reconhecer os tipos mais comuns#

"Assadura" virou nome para qualquer vermelhidão na fralda, mas o guia de 2022 da SBP descreve quadros diferentes, com cuidados diferentes:

TipoComo costuma serO que fazer
Por atritoA mais comum. Vermelhidão com leve descamação na parte interna das coxas, genitais, nádegas e barriga, que aparece e some rápidoTrocas mais frequentes e higiene suave
Por irritante primárioVermelhidão nas partes mais salientes (nádegas, períneo, parte baixa da barriga), poupando as dobras, num desenho que lembra a letra W. Pode ser leve, moderada ou gravePrevenção, creme de barreira e avaliação se for intensa
Candidíase (fungo)Vermelho intenso e bem delimitado, que pega as dobras, com bolinhas "satélites" ao redor. Mais comum antes de 12 meses e depois de antibióticoPediatra: o tratamento é com antifúngico prescrito
Dermatite seborreicaComeça por volta dos 20 dias de vida. Cor salmão nas dobras da virilha, do pescoço e das axilas, às vezes com casquinhas amareladas no couro cabeludoAvaliação. Veja o texto sobre dermatite seborreica
Dermatite de contato alérgicaVermelhidão e descamação em toda a área em contato com a fralda ou com um produto (aditivos de borracha e adesivos da fralda, fragrâncias, conservantes)Identificar e suspender o produto, com orientação

O guia lembra que outras doenças também podem aparecer na região, como a psoríase, o impetigo e a escabiose, e que o diagnóstico precisa ser revisto quando a resposta ao tratamento é lenta ou não vem.

Como prevenir a assadura#

A Tabela 2 do guia de 2022 da SBP traz a rotina de cuidados da área das fraldas. Junto com a orientação da Caderneta da Criança, ela fica assim:

  1. Lave as mãos antes e depois de cada troca, com água e sabão ou álcool em gel.
  2. Troque o mais rápido possível depois do xixi ou do cocô:
    • recém-nascido: a cada 1 a 2 horas durante o dia e pelo menos uma vez à noite;
    • bebê maior: a cada 3 a 4 horas durante o dia.
  3. Limpe com suavidade, de preferência com água e algodão. Não esfregue, e limpe da frente para trás.
  4. Não use talco, orienta a Caderneta.
  5. Deixe a região exposta ao ar por alguns períodos do dia.
  6. Aplique creme de barreira numa camada que cubra toda a área exposta à urina e às fezes.
  7. Nas trocas seguintes, não remova toda a camada de creme se não houver resíduo de fezes. Basta completar.

A SBP explica que o creme de barreira ideal forma uma película sobre a pele, funciona como escudo contra os irritantes, não sai com as fezes e é fácil de limpar. Os ingredientes ativos mais usados são óxido de zinco, petrolato e dexpantenol. O guia de 2022 diz que o creme nas trocas é uma medida eficaz de prevenção e também tem efeito de tratamento, e o guia de 2024 pondera que o uso em todas as trocas é facultativo, mais indicado para bebês que ficam com a pele vermelha com frequência.

Três pilhas de fraldas de pano reutilizáveis com estampas de abacate, flamingo, cacto e folhas sobre um piso de madeira
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, não há estudo que compare as fraldas de pano modernas com as descartáveis: o que mais pesa é a frequência da troca. · Foto: Unsplash

Fralda descartável ou de pano?#

A SBP explica que as fraldas descartáveis atuais absorvem a urina e a transformam em gel, o que mantém a pele mais seca e com pH mais próximo do ideal, quando são usadas da forma correta. As fraldas reutilizáveis modernas também têm camadas: um tecido que deixa a urina passar sem reter umidade, um absorvente e uma capa impermeável.

Há relatos de assaduras graves com fraldas de pano, mas, segundo o guia de 2024, eles envolvem em sua maioria as fraldas de pano antigas. Não existem estudos que comparem a frequência e a gravidade da assadura entre as descartáveis e as reutilizáveis atuais. Com as de pano, o cuidado é com a lavagem: elas podem ir à máquina, não devem ficar de molho, e a lavagem ou o armazenamento errados podem acumular amônia ou sabão, que irritam a pele.

A conclusão da SBP vale para qualquer escolha: quanto mais frequente a troca, menos assadura.

Lenço umedecido pode?#

Aqui as fontes mudaram com o tempo. Um texto da SBD sobre assaduras recomendava evitar os lenços umedecidos porque contêm substâncias que podem irritar ainda mais a pele. Os guias mais recentes da SBP, de 2022 e 2024, são mais específicos: os lenços podem ser usados desde o nascimento, desde que tenham tampões de pH para manter a leve acidez da pele e sejam livres de álcool, fragrâncias, óleos essenciais e detergentes agressivos, como o lauril sulfato de sódio.

Na prática, a própria SBP diz que água e algodão geralmente bastam. Com a pele já irritada, essa é a escolha mais segura. E vale ler o rótulo: a pele da área da fralda, úmida e fechada, absorve mais os ingredientes dos lenços e dos cremes, segundo o guia de 2024.

Como tratar a assadura em casa#

Quando a vermelhidão já apareceu, a Tabela 3 do guia de 2022 da SBP pede para redobrar os cuidados:

  • limpar a região com suavidade, sem esfregar;
  • trocar a fralda com mais frequência, logo depois de cada xixi ou cocô, inclusive à noite;
  • deixar o bebê sem fralda por curtos períodos durante o dia, para arejar;
  • aplicar o creme de barreira em camada grossa, para diminuir o contato com a urina e as fezes;
  • rever os produtos usados na pele, evitando os que têm álcool e fragrância;
  • preferir fraldas de maior absorção e sem fragrância.

Pomadas com remédio só com prescrição. A SBP afirma que produtos com medicamento na fórmula, com atenção especial aos corticoides, devem ser usados apenas com orientação médica e por pouco tempo, e que corticoide e nistatina não devem ser usados como prevenção. Como a fralda deixa a pele fechada, a absorção aumenta, e o corticoide pode causar efeitos na própria pele (afinamento, vasinhos, pelos) e no organismo, incluindo a síndrome de Cushing.

Quando é fungo, o tratamento é outro. Na candidíase, o guia de 2022 descreve o uso de creme antifúngico (nistatina ou miconazol) com limpeza suave e frequente, e, se houver placas brancas na boca, também nistatina por via oral. Quem confirma o diagnóstico e prescreve é o pediatra.

Quando é alergia, é preciso achar o culpado. A SBP explica que a sensibilização a um produto leva de uma a três semanas e que, mesmo depois de suspenso, as lesões podem durar de 2 a 4 semanas.

A Caderneta da Criança resume o ponto principal: a vermelhidão nas áreas cobertas pela fralda pode ser assadura ou alergia, e a família deve procurar orientação do profissional de saúde sobre os cuidados.

Quando procurar atendimento#

O guia de 2022 da SBP lista os sinais de alerta que pedem investigação e atendimento com pediatra ou dermatologista pediátrico:

  1. a dermatite não melhora mesmo com os cuidados descritos acima;
  2. aparecem bolhas, vesículas, descamação ou feridas abertas;
  3. há manchas roxas ou sangramento na área;
  4. surgem sintomas no corpo todo: febre, perda de peso, prostração e dor;
  5. as lesões se espalham para outras partes do corpo.

Vale também levar ao pediatra a vermelhidão intensa e bem delimitada nas dobras, com bolinhas ao redor, que pode ser fungo, principalmente se o bebê tomou antibiótico há pouco tempo ou tem placas brancas na boca.

E atenção à febre: a Caderneta da Criança considera febre de 37,5 °C ou mais em bebês com menos de 2 meses um sinal de perigo, que pede atendimento imediato. O texto sobre febre em criança e bebê explica como medir e quando ir ao pronto-socorro. Se houver dificuldade para chegar ao serviço de urgência, ligue para o Samu, no 192.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e o tratamento da assadura e das outras doenças de pele da área das fraldas são definidos pelo pediatra que acompanha o bebê.

Perguntas frequentes

De quanto em quanto tempo devo trocar a fralda para evitar assadura?

O guia de 2022 da Sociedade Brasileira de Pediatria orienta trocar a fralda o mais rápido possível depois de cada xixi ou cocô: no recém-nascido, a cada 1 a 2 horas durante o dia e pelo menos uma vez à noite; no bebê maior, a cada 3 a 4 horas durante o dia. A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, resume: troque sempre que a fralda estiver molhada ou suja.

Qual pomada usar na assadura?

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda creme de barreira, que forma uma película entre a pele e a urina e as fezes. Os ingredientes ativos mais comuns são óxido de zinco, petrolato e dexpantenol. O produto deve ser hipoalergênico, aplicado em camada que cubra toda a área após a limpeza e não precisa ser removido por completo nas trocas seguintes se não houver resíduo de fezes. Pomada com corticoide ou antifúngico só com prescrição.

Posso usar talco na assadura?

Não. A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, orienta não usar talco na troca de fraldas e limpar o bebê preferencialmente com água. A Sociedade Brasileira de Pediatria considera a limpeza suave com água e algodão geralmente suficiente, sem esfregar, e recomenda deixar a região exposta ao ar por alguns períodos.

Lenço umedecido causa assadura?

Pode irritar, dependendo da composição. Um texto antigo da Sociedade Brasileira de Dermatologia recomendava evitá-los na assadura. Os guias mais recentes da Sociedade Brasileira de Pediatria, de 2022 e 2024, dizem que lenços podem ser usados desde que tenham tampões de pH e não contenham álcool, fragrância, óleos essenciais nem detergentes agressivos. Com a pele já irritada, água e algodão são a opção mais segura.

Assadura com bolinhas vermelhas nas dobras pode ser fungo?

Pode. O guia da Sociedade Brasileira de Pediatria descreve a candidíase da área das fraldas como vermelhidão intensa e bem delimitada, que atinge as dobras, com pequenas lesões satélites ao redor. Uso recente de antibiótico favorece, e placas brancas na boca reforçam a suspeita. O tratamento é com creme antifúngico prescrito pelo pediatra, e não com o creme de barreira sozinho.

Posso passar pomada com corticoide na assadura?

Só com orientação médica e por pouco tempo. A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que a área da fralda, por ficar fechada e úmida, absorve mais os produtos, e o corticoide pode causar efeitos na pele, como afinamento, e no organismo todo, incluindo a síndrome de Cushing. Corticoide e nistatina não devem ser usados como prevenção.

Fralda de pano dá mais assadura que a descartável?

Não há estudo que compare as fraldas descartáveis com as fraldas de pano modernas, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. Os relatos de assaduras graves envolvem principalmente as fraldas de pano antigas. Com a fralda reutilizável, lavagem e armazenamento errados podem acumular amônia ou sabão e irritar a pele. Seja qual for a fralda, quanto mais frequente a troca, menos assadura.

Fontes consultadas

  1. 1.Dermatite de fraldas: diagnósticos diferenciais (Guia Prático de Atualização nº 14, 2022) — Sociedade Brasileira de Pediatria
  2. 2.Cuidados com a pele e anexos do recém-nascido: da higienização e hidratação ao tratamento (Guia Prático de Atualização nº 140, 2024) — Sociedade Brasileira de Pediatria
  3. 3.Assaduras: cuidado com as dobrinhas! — Sociedade Brasileira de Dermatologia
  4. 4.Caderneta da Criança, 6ª edição (2023): a troca de fraldas e sinais de perigo — Ministério da Saúde
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