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Bebidas

Bebidas Naturais: O Que Hidrata, o Que Não Emagrece e o Que Bebê Não Pode

O Ministério da Saúde é direto: o chá de hibisco não emagrece, reduz retenção de líquido. E mel não entra em bebida de criança menor de 2 anos: além de ser açúcar, traz risco de botulismo, maior antes de 1 ano.

Escrito por

Redação Blog com Saúde

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Publicado em ·Atualizado em ·7 min de leitura

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Smoothie roxo em copo plástico com canudo sobre balcão de madeira
Smoothie roxo em copo plástico com canudo sobre balcão de madeira

"Natural" é uma informação sobre a origem da bebida. Não é uma informação sobre o que ela faz no seu corpo.

Essa distinção resolve quase todas as dúvidas desta página — e desfaz três promessas que circulam em praticamente todo texto sobre o assunto: a de que suco hidrata como água, a de que existe bebida que desintoxica, e a de que chá emagrece.

Nenhuma delas se sustenta no material do próprio Ministério da Saúde. E há uma quarta coisa, que quase nunca aparece nesses textos, que é a única realmente urgente: mel não pode entrar na bebida de um bebê.

Para matar a sede, é água — nem suco natural serve#

O Guia Alimentar do Ministério da Saúde não deixa margem: a água pura "é a melhor opção para a ingestão de líquidos".

O motivo não é purismo. O Guia para crianças menores de 2 anos explica que trocar a água por suco natural, água de coco ou refresco "acaba habituando a criança a matar a sede apenas com bebidas açucaradas ou saborizadas". Se você quer entender quanta água de fato precisa beber — e por que não existe número único —, esse assunto tem texto próprio aqui.

Bebida natural entra na rotina como alimento, não como hidratação. É uma diferença de função.

Suco vale — sem coar e sem açúcar#

O material Desmistificando Dúvidas sobre Alimentação e Nutrição, publicado pelo Ministério da Saúde com a UFMG, não condena o suco. Coloca-o no lugar certo:

"Ainda que os sucos forneçam grande parte dos nutrientes da fruta inteira, nem sempre apresentam os mesmos benefícios e, por isso, é preferível consumi-las inteiras."

E dá a orientação prática que quase ninguém segue:

"Os sucos naturais devem ser consumidos, preferencialmente, sem coar, visando manter as fibras dietéticas que auxiliam no controle da saciedade, diminuição da glicemia e do colesterol sanguíneo; e sem adição de açúcares."

Coar o suco é jogar fora exatamente a parte que segura a glicemia. Adoçar depois é anular o resto. Um suco batido com a polpa e sem açúcar é outra bebida — nutricionalmente — do que o suco coado e adoçado que a maioria toma.

"Detox" não é o que a propaganda diz#

Esta é a alegação mais repetida em bebida natural, e a que menos se sustenta.

O material do Ministério da Saúde é explícito sobre onde a palavra nasceu:

"Pesquisas em bases científicas demonstram que o termo detox está relacionado principalmente com a desintoxicação de drogas e álcool."

E sobre o que existe de evidência aplicada a comida:

"Os estudos científicos sobre dieta detox não foram realizados com alimentos, mas sim com suplementos industrializados visando à desintoxicação de substâncias químicas, apresentando ainda metodologia imprecisa e resultados controversos."

O texto conclui que "ainda não é conhecido o efeito de alimentos com propriedades detox em estudos científicos", e explica de onde vem o benefício que as pessoas de fato sentem:

"Os grandes benefícios obtidos pela dieta detox fundamentam-se na presença de alimentos in natura, como frutas e hortaliças, e aqueles minimamente processados."

Ou seja: o suco verde faz bem porque tem couve, maçã e limão — não porque desintoxica. O mesmo material lembra que o corpo tem sistemas naturais de defesa responsáveis por eliminar substâncias tóxicas, e eles não dependem de bebida especial para trabalhar.

Vale o alerta que o mesmo material faz sobre os produtos comerciais de detox: quando associados a laxantes e enemas, "podem levar a complicações como perfuração intestinal, distúrbios de eletrólitos, desidratação e, consequentemente, riscos de arritmias, convulsões, comas e óbito".

O hibisco não emagrece. Ele tira água.#

Aqui está o achado mais útil desta página, e ele está escrito com todas as letras no material oficial.

O hibisco tem, sim, ação diurética — isso é real, e reduz retenção de líquido e inchaço. O problema é a leitura que se faz da balança. O Ministério da Saúde desfaz a confusão numa frase:

"Porém, isso não quer dizer que o indivíduo emagreceu com o chá de hibisco e sim que o chá reduziu a retenção hídrica."

E completa o que falta:

"Para um emagrecimento efetivo, que consiste essencialmente na redução da gordura corporal, é necessário adequar a alimentação, manter-se ativo e ter um estilo de vida saudável."

O peso de edema, registra o texto, pode variar de 1 a 6 kg conforme o grau. É exatamente a faixa que faz alguém achar que o chá funcionou — e voltar ao peso anterior assim que parar.

Chá verde: o efeito existe, mas é de 4%#

Sobre o chá verde, o mesmo material é mais generoso, e igualmente honesto sobre o tamanho:

"Estudos realizados com humanos mostram aumento do gasto energético de cerca de 4% e da oxidação lipídica com o consumo de chá verde, em função de seu efeito termogênico."

E logo em seguida a ressalva que a propaganda omite: "as pesquisas ainda são inconclusivas a respeito da dose necessária para se obter esse efeito". Existe efeito medido; não se sabe quanto chá é preciso tomar para obtê-lo.

A regra geral do documento vale para todos eles: "nenhum alimento por si emagrece".

Mel: a regra que falta em quase todo texto#

E chegamos ao ponto que não é sobre eficácia, é sobre segurança.

É comum ler que a bebida natural pode ser "adoçada naturalmente com mel", como se mel fosse a alternativa inocente ao açúcar. Não é: o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos lembra que o mel "contém os mesmos componentes do açúcar". Para criança pequena, há ainda um risco a mais.

O Guia não recomenda oferecer mel antes dos 2 anos, por dois motivos: o açúcar e o risco de contaminação por uma bactéria associada ao botulismo. "A criança menor de 1 ano é menos resistente a essa bactéria, podendo desenvolver essa grave doença, que causa sintomas gastrintestinais e neurológicos."

A página do Ministério da Saúde sobre botulismo descreve o botulismo intestinal infantil como forma "mais frequente em crianças com idade entre 3 e 26 semanas", tendo "uma das principais causas o consumo de mel de abelha nas primeiras semanas de vida". E registra a gravidade: "esta doença pode ser responsável por 5% dos casos de morte súbita em lactentes". Os outros alimentos ligados ao botulismo estão no texto sobre intoxicação alimentar.

Se a bebida é para uma criança menor de 2 anos, mel está fora. (Antes dos 6 meses, aliás, o bebê em amamentação exclusiva não precisa nem de água: o mesmo Guia diz que o leite materno tem toda a água necessária nessa fase. O assunto está em como introduzir a alimentação complementar.)

O que fazer, na prática#

  • Sede é com água. Bebida natural é alimento, não hidratação.
  • Fruta inteira antes de suco. Se for suco, sem coar e sem açúcar.
  • Ignore o rótulo "detox". Se tem fruta e hortaliça, já faz bem por isso.
  • Chá é bebida, não tratamento. Hibisco tira líquido; chá verde tem efeito pequeno e dose indefinida.
  • Mel: nada antes dos 2 anos. Nem no chá, nem no suco, nem na chupeta.
  • Água aromatizada é boa ideia, sem adoçar. O Guia Alimentar cita a água "temperada" com rodelas de limão ou folhas de hortelã.

Quando procurar atendimento#

Procure atendimento imediato, ou acione o Samu pelo 192, se um bebê começar com prisão de ventre e irritabilidade e depois tiver dificuldade para sustentar a cabeça, sucção fraca, choro fraco ou fraqueza. São os sinais que o Ministério da Saúde descreve no botulismo intestinal infantil, e o Ministério trata qualquer forma de botulismo como emergência médica.

Produtos "detox" associados a laxantes e enemas podem causar desidratação e distúrbios de eletrólitos, alerta o material do Ministério da Saúde com a UFMG. Desmaio, confusão ou convulsão depois de usá-los pedem atendimento de urgência.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Quem tem doença crônica ou usa remédios deve falar com o profissional de saúde antes de usar chás como tratamento.


Leia também quando o açúcar na infância é demais e quanta água beber por dia.

Perguntas frequentes

Suco natural substitui a água?

Não. O Guia Alimentar do Ministério da Saúde diz que a água pura 'é a melhor opção para a ingestão de líquidos'. Suco pode fazer parte da alimentação, mas não é a bebida da sede, sobretudo para crianças: o Guia para menores de 2 anos diz que trocar a água por suco 'acaba habituando a criança a matar a sede apenas com bebidas açucaradas ou saborizadas'.

Suco detox funciona?

Não da forma como é vendido. O material do Ministério da Saúde com a UFMG registra que 'os estudos científicos sobre dieta detox não foram realizados com alimentos, mas sim com suplementos industrializados', e que 'ainda não é conhecido o efeito de alimentos com propriedades detox em estudos científicos'. O benefício real vem de haver fruta e hortaliça ali — não de uma desintoxicação.

Chá de hibisco emagrece?

Não. O hibisco tem ação diurética e reduz retenção de líquido, o que faz a balança baixar. O Ministério da Saúde explica a diferença: 'isso não quer dizer que o indivíduo emagreceu com o chá de hibisco e sim que o chá reduziu a retenção hídrica'. Emagrecer é reduzir gordura corporal, e isso depende de alimentação e atividade física.

Chá verde ajuda a perder peso?

O efeito existe, mas é pequeno e a dose é desconhecida. Segundo o material do Ministério da Saúde, estudos em humanos mostram 'aumento do gasto energético de cerca de 4%' pelo efeito termogênico — e completa que 'as pesquisas ainda são inconclusivas a respeito da dose necessária para se obter esse efeito'.

Pode adoçar bebida de criança com mel?

Não antes dos 2 anos. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, do Ministério da Saúde, dá dois motivos: o mel 'contém os mesmos componentes do açúcar', e há risco de contaminação por uma bactéria associada ao botulismo, à qual a criança menor de 1 ano é menos resistente. O Ministério aponta o mel como uma das principais causas do botulismo infantil.

Qual é a forma certa de tomar suco natural?

Sem coar e sem açúcar. O material do Ministério da Saúde orienta consumir 'preferencialmente, sem coar, visando manter as fibras dietéticas que auxiliam no controle da saciedade, diminuição da glicemia e do colesterol sanguíneo; e sem adição de açúcares'. Ainda assim, a fruta inteira continua sendo a melhor opção.

Fontes consultadas

  1. 1.Desmistificando Dúvidas sobre Alimentação e Nutrição — Ministério da Saúde / Universidade Federal de Minas Gerais
  2. 2.Botulismo — Ministério da Saúde
  3. 3.Botulismo: sintomas — Ministério da Saúde
  4. 4.Guia Alimentar para a População Brasileira, 2ª edição (2014): água — Ministério da Saúde
  5. 5.Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos (2019): água, sucos e mel — Ministério da Saúde